A sessão desta segunda-feira na Câmara Municipal de Buíque foi marcada por um clima de forte tensão política, debates acalorados e acusações envolvendo suposto favorecimento ao grupo ligado à atual gestão municipal. O encontro legislativo revelou que, mesmo com minoria numérica, a oposição promete endurecer o discurso dentro da Casa.
Entre discursos e apartes, vereadores da oposição deixaram claro o sentimento de que apenas parlamentares e pessoas ligadas ao grupo da situação têm espaço garantido dentro do Legislativo buiquense. A insatisfação ganhou força após a negativa de fala ao ex-vereador e ex-presidente da Câmara, Felinho da Serrinha.
A situação teve origem ainda na sessão anterior, quando o vereador recém-empossado Cícero Edson apresentou verbalmente um requerimento solicitando um instante de fala para seu irmão, Felinho da Serrinha, que já presidiu a Câmara de Buíque. Na ocasião, segundo relatos feitos em plenário, o atual presidente da Casa, Cidinho de Cícero Salviano, afirmou que a fala não poderia ser concedida naquele momento, mas orientou que fosse realizada inscrição para a sessão seguinte.
Com a inscrição realizada, a expectativa era de que o ex-presidente pudesse usar a tribuna para fazer um breve agradecimento. Porém, no momento da solicitação, a presidência voltou a negar o espaço e sugeriu que o plenário votasse sobre a autorização da fala.
Como a Câmara atualmente possui maioria governista — com 11 vereadores da situação contra apenas 4 da oposição — o pedido foi rejeitado imediatamente.
A justificativa apresentada pelo presidente foi de que o regimento interno não prevê concessão de fala para pessoas que não integrem oficialmente a sessão. A explicação, no entanto, foi duramente contestada por parlamentares da oposição, que afirmaram que o caso demonstrou tratamento desigual e motivado por questões políticas.
O debate rapidamente elevou o tom. Entre falas e respostas, vereadores classificaram a decisão como “falta de respeito”, “absurdo” e “perseguição”. Em vários momentos, o clima ficou visivelmente pesado no plenário.
Mesmo sendo minoria, os vereadores oposicionistas demonstraram disposição para enfrentar diretamente a base governista. O episódio deixou evidente que o ambiente político dentro da Câmara de Buíque começa a entrar em ebulição logo nos primeiros dias da nova legislatura.
A tensão registrada na sessão parece confirmar uma fala feita anteriormente pelo vereador Leonardo de Gilberto durante sua posse. Na ocasião, o parlamentar afirmou que “a chibata vai estralar” dentro da Casa Legislativa. Pelo cenário visto nesta tarde e noite, o embate político parece já ter começado.
Com debates cada vez mais intensos, divergências públicas e troca de acusações entre situação e oposição, os próximos capítulos da política buiquense prometem sessões ainda mais quentes dentro da Câmara Municipal.








